Previsões políticas para 2014

Em 2014 a política, no âmbito dos estados, instituições e representantes forte do capital, e o impacto das relações sórdidas entre estes e a vida, do sagui até as famílias burguesas mais bem maquiadas com a sujeira lustrosa da nobreza, promete ter semelhanças muito íntimas com governos explicitamente fascistas e ditadores, porque até então a máscara democrática legitima o fascismo nas formas jurídica e moralista.

Não tenho esperança alguma em um mundo melhor enquanto o capital continuar sendo o valor supremo, em outras palavras, não tenho esperanças em um mundo melhor enquanto o capital estiver acima da vida. No meu íntimo, gosto de imaginar: o que virá depois da queda do humano? E é aqui, somente aqui, que tenho otimismo em um mundo melhor. Tenho sonhos daqueles que chamam de “sonhos ingênuos”, sonho, por exemplo, com extraterrestres lançando um meteoro no estádio de abertura da Copa do Mundo com suas tribunas repletas dos mais vis figurantes sociais – ia ser lindo.Sonho, por exemplo, com um dia que cada um de nós, ainda que por um dia, não ligasse suas TV´s nem saísse com seus carros para frequentar shopping centers. 

De resto, continuarei existindo no fora, por um detalhe de beleza qualquer. Encontrar pequenas flores em meio ao lixo civilizatório. 

Entrevista: Eduardo V. de Castro sobre o Capitalismo

Entrevista recomendadíssima (Fonte: Ecodebate) com o antropólogo que deu um soco no eurocentrismo do homem ao nos apresentar a beleza do perspectivismo ameríndio. Eduardo Viveiro de Castro é um grande pensador, seus pensamentos sempre acabam ressoando em nós de maneira muito intensa. Abaixo alguns trechos.

Não há nada mais estúpido que estas Land Rovers que vemos em São Paulo ou no Rio de Janeiro, andando com adesivos do Greenpeace, de slogans ecológicos, coladas no para-brisa.

As pessoas vão às ruas nestes 4×4 e bebem um diesel venenoso… Gente que pensa que o contato com a natureza é fazer um Rally no Pantanal…

Um governo que não se cansa de se orgulhar pela quantidade de carros produzidos por ano. É absurdo utilizar os números da produção de veículos como um indicador de prosperidade econômica. Essa é uma proposta podre, uma visão estreita e uma proposta muito empobrecedora para o país.

O Brasil segue como um país periférico, uma plantação “high tech” que abastece com matérias-primas o capitalismo central.

O projeto de Brasil, que tem a atual coalizão do governo sob o mando do Partido dos Trabalhadores (PT), considera os ribeirinhos, os indígenas, os campesinos, os quilombolas como pessoas com atraso, um atraso sociocultural, e que devem ser conduzida para outro estado.

O PT vê a Amazônia brasileira como um lugar para civilizar, para domar, para obter benefícios econômicos, para capitalizar.

Estamos vendo hoje uma ironia muito dialética: o governo, liderado por uma pessoa perseguida e torturada pela ditadura, realizando um projeto de sociedade que foi adotado e implementado por esta mesma ditadura: a destruição da Amazônia, a mecanização, a “transgenização” e a “agrotoxicação” da agricultura, migração induzida pelas cidades.

Por que não percebemos a coerção da linguagem

“(…) na prática viva da língua, a consciência lingüística do locutor e do receptor nada tem a ver com um sistema abstrato de formas normativas, mas apenas com a linguagem no sentido de conjunto dos contextos possíveis de uso de cada forma particular. Para o falante nativo, a palavra não se apresenta como um item de dicionário, mas como parte das mais diversas enunciações dos locutores A, B ou C de sua comunidade e das múltiplas enunciações de sua própria prática lingüística. Para que se passe a perceber a palavra como uma forma fixa pertencente ao sistema lexical de uma língua dada – como uma palavra de dicionário –, é preciso que se adote uma orientação particular e específica. É por isso que os membros de uma comunidade lingüística, normalmente, não percebem nunca o caráter coercitivo das normas lingüísticas. A significação normativa da forma lingüística só se deixa perceber nos momentos de conflito, momentos raríssimos e não característicos do uso da língua (para o homem contemporâneo, eles estão quase exclusivamente associados à expressão escrita). – M. Bakhtin, Marxismo e Filosofia da Linguagem

Grifos meus :]

A libertação da vida

Uma das coisas mais belas e encantadoras que o professor Cláudio Ulpiano já me proporcionou através das suas aulas transcritas. Instante de vida que valeu a pena ser vivido, instante de vida que me aconteceu como uma torrente de lágrimas dançantes de alegria, e elas cantavam o privilégio de estar vivo, instante de vida desses que levamos para o túmulo. 

A libertação da vida é a libertação do organismo: libertar a vida do organismo! Então, fazer esse procedimento em todas as linhas possíveis e é a beleza que a história dos homens, tão enlouquecida, nos proporciona. Artistas, cientistas, filósofos que literalmente cortaram o orgânico das suas preocupações teóricas e éticas, produzindo uma obra de liberação exatamente dessas forças afetivas que estão aqui. Vocês podem me perguntar: mas … pra quê e por quê? Porque a vida – à maneira bergsoniana – ela é um élan, ela é uma força, ela é uma linha abstrata. A vida é como se fosse um homem apaixonado à procura exacerbada da sua amada. Por isso a vida vai sempre pra frente, porque ela nunca vai encontrar essa amada. A vida é exacerbada e é errante. É exacerbada e errante. E o pensamento tem uma função. A vida se dá nos corpos e os corpos forçam o pensamento a pensar – porque o corpo não pensa; mas ele força o pensamento a pensar. – Cláudio Ulpiano