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Resolvi criar este espaço que não tem a pretensão de apreender um único assunto, os conteúdos irão surgir de acordo com o devir – do eterno retorno.

Dentro daquilo que costumeiramente é chamado de blogosfera tenho percebido que há poucos blogs interessados em se aventurar nos confrontos com a realidade que nos apresenta, muitas vezes, como contraditória e conflituosa. Alguém precisa confrontar diretamente o tribunal da normalidade, que decide – e muitas vezes sem questionamentos – o “normal” do “anormal”, o “certo” do “errado”, a “verdade” da “mentira”. Se o homem é visto como aquele que se situa no centro do universo, quem irá nos interrogar? Não parece uma tolice ganhar um troféu de nós mesmos? Em suma: transgredir é necessário.

Dos conteúdos do blog:

O blog Eterno Retorno ou o responsável por trás disso tudo não tem verdades nem mentiras para categorizar o mundo. Não pode oferecer receitas e nem modelos prontos para encontrar a saída dos conflitos humanos. Contudo, prefere antes o agir sem esperança do que se entregar ao niilismo.

As tentativas de lançar uma luz sobre a realidade serão buscadas na Filosofia, na Psicologia e nas Ciências Humanas de modo geral – mesmo que seja uma luz de vela. Não acredito em sistemas teóricos, em geral eles são nefastos e catastróficos, podem nos ajudar à medida que nos alimentamos sem deles fazer palavra de verdade, mas o homem de carne e osso em devir é afetado por muito mais que está fora dessas frágeis embalagens da razão.

Nenhum conteúdo do blog Eterno Retorno busca encerrar o assunto, pelo contrário, a pretensão será trazer mais dúvidas, outras problemáticas, desarticular os pensamentos, desconfiar daquilo que nos apresentam muitas vezes como sendo óbvio e levar às últimas consequências o que se crê: inquietar-se, ainda que cause dores e ferimentos, mas raramente aprender. Todos os caminhos apontados ficarão em abertos e se darão a algum lugar não se sabe qual.

Minha existência não consegue deixar de se ocupar da tentativa de colocar as inquietações em palavras, mesmo com o pensamento de que elas jamais darão conta de dizer o que queremos dizer, embora elas possam nos libertar e também nos aprisionar. Não acredito que des-conhecimentos se façam sem pensamentos provocativos, reflexivos e críticos, e muito menos sem admitir os paradoxos e os horrores da existência: portanto, é necessário aceitar a angústia de um nada-ser em detrimento de um é, “aceitar” que é pura inquietação e jamais apaziguamento.

Tais inquietações advindas do momento e de acordo com as condições de forças da minha existência me trazem pensamentos que posso “guardá-los” por tempo indeterminado ou até quando me forem úteis: servirem-me para ampliar a alegria do viver. Jamais direi que carregaria um pensamento ao túmulo, portanto, caro leitor, use este material ao seu gosto, sinta-se à vontade para odiar ou aceitar – afinal, em última instância, são apenas palavras, tagarelices.

Uma coisa é a minha existência e outra são meus escritos, por mais que possam estar com alguma consonância jamais serão juízes de um existir com todas as suas complexidades e desconhecidos.

Nesse contexto, não haverá uma temática determinada para este blog, talvez uma que esteja frequentemente sendo retomada será os ataques às superstições que vêm crescendo de forma assustadora nas últimas décadas, sobretudo alguns líderes religiosos que têm como tarefa o sepultamento de vidas no aqui e agora em detrimento de promessas que pairam o imaginável – sem direito à indenização futura caso estejam errados.

Alguns escritos serão breves, leves e soltos, outros serão pura confusão, outros sem se importar com as exigências formais da semântica, outros na forma de aforismos, outros serão gritantes, que costumam irromper da casualidade e precisarão de mais palavras para encontrar quietude, mas no geral não se enquadrarão no paradigma estúpido e espetacular que tem subsidiado boa parte dos blogs.

Muitos dos assuntos que serão abordados não costumam estar no pensamento das multidões, mas pode ser que nos encontremos por algumas frases e nos discordemos em muitas outras.

Desde já lhe convido para participar desse local: mostre os seus pensamentos, evite fazer deles uma medida de verdade para duelo de teorias, apenas jogue-os ao palco para que possam dançar com os meus se essa for a nossa vontade. Se não for eu e você seguimos caminhos diferentes e nada além disso.

Morra a verdade, faça-se a vida! – F. Nietzsche

Sobre os autores:

adv – Adriel, nascido em 1984, pensava em estudar Ciência da Computação mas mudou pela Psicologia, e entre as possibilidades de ingressar num curso de Física ou Psicologia, escolheu o segundo no “último minuto”; curso na qual está finalizando na Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de Bauru. Seus pensamentos inquietantes têm fortes influências de Nietzsche, Foucault, Schopenhauer, Sartre, Camus, Cioran, Fernando Pessoa e Clarice Lispector, respirando ainda um batalhão de pensadores e literários das quais lhes ensinaram e ensinam muito: Epicuro, Diógenes, Pascal, Montaigne, Spinoza, Heidegger, Deleuze, Dostoiévski, Tolstói, Carl Sagan, Michel Onfray, W. Reich, Guy de Maupassant, José Saramago, Rubem Alves, Irvin Yalom, Rimbaud, Baudelaire, Florbela Espanca, Wittgenstein, Augusto dos Anjos, Ortega y Gasset, Bataille, Viktor Frankl, Winnicott etc., além dos “anônimos” amigos e professores que o acaso da vida lhe proporcionou o prazer dos encontros. Essas presenças lhe acalentam o viver, proporcionam coragem e um sentimento de “bem-vindo à raça humana, não estamos sozinhos nesse mundo, ainda que morreremos sozinhos”. Na Psicologia seus pensamentos buscam sustentação no “Existencialismo”, sobretudo em Sartre e Heidegger enquanto pensadores com teorias mais amplas; contudo, não deixa de buscar criar os seus próprios contornos psicoterápicos, utilizando-se de muitos outros recursos, como o método genealógico de Nietzsche, os teóricos do caos e da complexidade, sem desconsiderar a psicanálise winnicottiana e algumas tonalidades da logoterapia, além da Literatura que muito sabe da Vida, embora a Psicologia insiste em quase nada dela se aproveitar. Adora livros, futebol (corintiano “preto e branco”), musculação e músicas. Diz sem pensar que a vida só vale a pena e é uma injustiça morrer porque há Música. Música que vem do metal com elementos clássicos nas suas variações góticas, folk e darkwave advindas da Alemanha e dos países nórdicos; pouco de MPB, tango, da música folclórica russa e do hip-hop brasileiro e principalmente da Música capaz de enlouquecer o corpo de sensações, o cântico inaudito vindo dos grandes nomes da música clássica, principalmente Händel, Beethoven, Mozart, Bach e Vivaldi. Desconhece os significados das palavras “verdade” e “mentira”, e concebe toda forma de conhecimento enquanto representação, sob um céu nominalista absoluto, sobre o mundo que pode potencializar ou prejudicar a vivência, ainda que seja tudo tagarelice sobre um Universo indiferente e impossibilitado de ser conhecido. Vê a consciência como uma doença e a fisiologia, as sensações e os indecifráveis do corpo como responsável pelas nossas experiências mais profundas, ainda que da consciência não se possa escapar. É “ateu” e agradece ao maldito Deus porque sem Ele talvez não acontecessem Händel e Bach tal como aconteceram. Se masturba com o fato de estarmos abandonados no mundo em uma condição finita, “sob um céu vazio e sobre um abismo sem fundo”, e desse sentimento sucumbi em alegria e tristeza, beleza e horror por estar vivo, respirando intensamente, ao seu modo, a Vida tal como ela é, com prazer e desprazer. É obcecado pela morte e pela linguagem, e é do absurdo, da condição de precariedade da carne animada pela alma diante do silêncio absoluto universo que se desmancha em amor. Na sua singularidade vê a Arte como acima da Ciência e da Filosofia, sobretudo nas suas faces da música, literatura e pintura. Por fim, é um pessimista com odium fati diante do homem e um suicida com amor fati à Vida. | Orkut |

Ego das multidões – nascido no pós-modernismo, adora falar de informática, web, games, wordpress e novas tecnologias, principalmente aquelas de tamanho diminuto. Sua ingenuidade reside na crença de que as tecnologias são mais importantes que as questões humanas, pois pensa que elas irão nos salvar. Seu narcisismo obcecado pela busca dos primeiros lugares costuma olhar para questões sociais e culturais, concebendo-as, muitas vezes, enquanto naturalizações. Pensa que o homem é egoísta por natureza e que tem liberdade para ser tudo o que desejar, onde ser rei ou plebeu é meramente fruto da competência individual. Seus pensamentos são povoados por marcas famosas, celebridades, modismos, comportamentos e atitudes aprendidos através da mídia generalizada que despreza o singular. Essas características costumam torná-lo um perigoso agente capaz de afagar o ego das multidões. Seu senso crítico só conhece o critério dos números e o ecoar das vozes do rebanho que falam por ele.

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Eterno Retorno é um blog que objetiva instigar o leitor a lançar sobre o mundo um olhar reflexivo, crítico e filosófico.

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