
A terra, o universo, as estrelas, as galáxias, a noite, o respirar, os animais, a água, os sons da vida… objetos e coisas sem encantamento. Raramente sequer percebidos. Estamos ocupados demais com um modo de vida que nos faz acreditar ser o melhor possível. Percebemos muito bem coisas que tenham valor social e de mercado vivendo em função de valores advindos das produções dominantes de vida. Nessa perspectiva o viver deixa de ser transbordamento e encantamento e passa a ser esgotamento nos usos e desusos. Todas as coisas adquiriram sua função – ou ainda são coisas para serem descobertas – no mundo, capturadas segundo os critérios da produção: ciência aristotélica aplicada à economia.
Se algo não é compreendido só o é enquanto objeto capturado para ainda ser compreendido pelos que são legitimados ao saber. A criatura birrenta que se autodenominou inteligente não aprecia o mistério e o encanto, eles clamam pelas descobertas, pela essência e a partir daí julgam. Engenharia complexa de desencantamento do mundo: o encanto capturado em um objeto para ser transitado em forma de verdade e a partir daí gerenciar modos de vida adequados ou inadequados perante os critérios da moral.
