Uma noite de lembranças na universidade

O vento frio uivando na indiferença de uma noite sombria, as árvores com seus galhos e folhas vibrando uma sinfonia com o coro das folhas secas bailando ao acaso na rispidez de um asfalto de tantos e tantos passos, as tonalidades dos cheiros mais sutis, as poucas pessoas aqui e acolá com seus corpos e cabeças sem rosto, a infinidade de tudo o mais que não se revelou com luz no pensamento e que se sabe estar presente… os astros, lá nos confins do Universo, estão presentes em ausência e testemunham tudo sem testemunhar nada. E então a explosão de lembranças coloridas de sentimentos e emoções que sussurram o já vivido ao que se está vivendo; e então corpo e alma deságuam em lágrimas que significam saudades, tristezas, alegrias, aquela dorzinha e aquele carinho, os pequenos medos e as grandes coragens juntos e ao mesmo tempo e nem piores nem melhores mas simplesmente forças. E o muito desse pouco que se veio capturado nas teias do pensamento escapou, se perdeu para os miúdos do semântico mas foi vivido na grandeza de um compreendido que não se compreende: e o não compreender é a vida acontecendo na sua pureza e inocência.

Comentário(s): 01

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *