Existencialismo, Ciências Humanas, Música, Web, etc.
Já expressei por aqui meu repúdio às touradas, em conto, ou expressando meu prazer pela dor do toureiro. A civilização enquanto barbárie é algo que perpassa meu pensamento sobre qualquer questão sobre a demoníaca organização social, cultural, global a que chegamos. Mas em se tratando de pintar um quadro do terror com as palavras, de modo que nos faz sentir o sangue fresco de um touro agonizante no meio da euforia das massas, e o próprio coração querendo saltar pela boca, num sentimento de profundo desejo para que o mundo, esse inaudito da matéria, se sucumba em totalidade e que a vida possa continuar sem essa besta que anda sobre duas patas… essa capacidade tão crua de descrever as brutalidades humanas é sem igual em José Saramago: refiro-me ao post Espanha negra publicado recentemente pelo autor, na qual mais uma vez senti o tão peculiar sopro do horror nas entranhas a partir das cruezas do homem.
Lembro-me ainda, das primeiras páginas do “Evangelho segundo Jesus Cristo“, onde tão difícil foi passar da narração sobre as festas sangrentas oferecidas ao Deus beberrão desse líquido da vida.
O céu sucumbiu em preto e branco e a torcida Colorida desbotou: “Inferno? Não! Paraíso alvinegro.” Obrigado mais uma vez, Fernando Carvalho, pela sua imbecilidade!
2008…2009
Eterno retorno!
Deus,
é covardia,
é má-fé.
O livre arbítrio,
é covardia,
é má-fé.
O destino,
é o berço da covardia.
Liberdade é responsabilidade pela própria existência. Ninguém, por mais que nos ame, poderá escolher por nós: ninguém poderá morrer por mim. Liberdade se exerce com condições biológicas, sociais e psicológicas, é por isso que ela se torna possível. A liberdade do desejo é sonho. O homem é livre para escolher, mas não é livre para deixar de escolher: é livre para optar, menos optar pela não-liberdade. Liberdade só exerce em facticidade, o vôo perpétuo do não-ser em direção ao futuro depende do passado e do presente. Liberdade não é livre-arbítrio, liberdade existe dentro de uma estrutura razoável de condições para agir, livre-arbítrio é queda livre em um tudo posso. Só posso ser livre porque dependo do determinado para superá-lo, não posso escolher onde nascer, não escolho minha cor nem minha face. “Liberdade não é fazer o que se quer, mas querer o que se faz.” Contudo, “A morte é a nadificação dos nossos projetos, é a certeza de que um nada total nos espera”.
Dizer que se é assim porque no passado aconteceu isso é proclamar a morte em vida, e não é isso que a psicanálise clássica faz?