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O que é o Eterno Retorno (Nietzsche)
3jun2008 Categoria(s): Filosofia Autor: advEterno Retorno é um conceito desenvolvido pelo filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900), considerado por ele próprio um dos seus pensamentos mais aterrorizadores. Foi durante um passeio em 1881 que Nit refletiu sobre os sentidos das vivências em alternâncias que se repetem. Embora em várias de suas obras encontramos pistas do que seria o Eterno Retorno, é na sua obra A Gaia Ciência (1882), um dos mais belos livros antes de Nit sofrer das baixas de sua saúde, que ele nos brinda com a idéia mais nítida do que seria esse conceito:
“E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e seqüência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!“ Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: “Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?” (aforismo 56)
Parece que o Eterno Retorno defende a tese de que pólos se alternam nas vivências numa eterna repetição. Criação e destruição, alegria e tristeza, saúde e doença, bem e mal, belo e feio,… tudo vai e tudo retorna. Porém, esses pólos não se opõem, mas são faces de uma mesma realidade, isto é, um complementa o outro, são contínuos de um jogo só. Alegria e tristeza são faces de uma única coisa experienciada com grau diferente.
A temporalidade não está presente no Eterno Retorno, a realidade para Nit não tem uma finalidade nem um objetivo a cumprir, e por isso as alternâncias de prazer e desprazer se repetem durante a vida. – O Eterno Retorno não se reporta a uma demarcação temporal cíclica e exata, mas às nuances de vivências que se complementam e dão o colorido da vida.
O devir não ocorre de um modo exatamente igual, mas são variações de sentidos já vivenciados, faces de uma mesma realidade. A alegria e a tristeza que senti não serão iguais no amanhã, mas voltarei a experimentar esses estados em suas diferentes variações.
A indagação que Nit nos faz através do aforismo acima não se trata de uma negação da vida, pelo contrário, nos remete a uma afirmação da vida. Não posso crescer se não experimento declínio e vice-versa, são faces de uma mesma moeda sem demarcação de tempo e exatidão, de tal modo, Nit nos aponta que “os homens não têm de fugir à vida como os pessimistas, mas como alegres convivas de um banquete que desejam suas taças novamente cheias, dirão à vida: uma vez mais”. – Eis aqui uma bela resposta de Nietzsche ao pessimismo de Schopenhauer.
Se tudo retorna - o prazer e o desprazer, a dor e o deleite, a alegria e o sofrimento - queremos mesmo viver à eternidade onde nada de novo irá acontecer além de vivências com nuances variadas de uma mesma realidade? - Não é fácil dar uma resposta a indagação que o Eterno Retorno nos faz. Mas apenas você pode respondê-la, e ninguém poderá fazer isso por você, uma resposta pronta e acabada não faz sentido, da mesma forma que a “verdade” e a “mentira” não encontram acomodação no pensamento de Nietzsche. Talvez decorra daí o sentido perturbador do conceito.
Nietzsche nos dá o Eterno Retorno como uma saída, que consiste em buscar a criação na destruição, só nessa complementação que podemos transcender e reafirmar a vida em detrimento dos valores que envenenou a humanidade e negou a vida, sobretudo, aqueles simbolizados na cruz.
domelhor.net
junho 4th, 2008 at 7:03
O que o Eterno Retorno (Nietzsche) | Eterno Retorno…
Breve consideraes a respeito do conceito de eterno retorno do filsofo Nietzsche….
Vitor Hugo Nogueira
junho 4th, 2008 at 14:38
Bela iniciativa…já acompanhava o “LOG” e seus textos sempre muito bem elaborados…agora serei assíduo leitor do “Eterno Retorno”.
Forte abraço,
Vítor Hugo Nogueira
adv
junho 5th, 2008 at 10:41
@Vitor Hugo Nogueira: olá
Vitor, obrigado! Seus comentários tb sempre são bem pertinentes. Até mais.
kLEINE pENIS
junho 10th, 2008 at 18:00
aEW SO O QUEARTO A COMENTAR VÉI
BLZ1/
vLW
Fragmentos e destroços advindos do existencial | LOG de MSN
junho 17th, 2008 at 12:34
[...] o amanhã através do eterno retorno. Muito exercício físico, muita massa muscular, uma dieta impecável, sem fumar, sem beber e por [...]
Laís Ferreira
junho 24th, 2008 at 10:33
Oie, gosto muito do Nietzsche, mas acho muito complicado a filosofia dele. Seu texto me ajudou bastante, espero que continue colocando mais textos sobre, bjo.
bidu
junho 30th, 2008 at 5:45
a única forma de não nos preocuparmos com o eterno retorno é trabalhando em construção do super-homem. Sabemos que nosso mundo já anda desordenado com a tal ‘vontade de potência’ de alguns e, da covardia de outros. Portanto, devemos criar as nossas própias escritas, pensamentos e não seguir mais ninguém…parece que vocês não aprenderam a mensagem do malucão nietzsche! Vivam, destruam as bibliotecas, destruam os doutos, os sábios, façamos ‘guerra’, sejamos politicos de si mesmo, mas por mais que seja triste a vida..ame-a. goze da solidão ou da companhia. O titio nietzsche está de olho em vocês,..e de mim também uhauhauh
Já pensaram em quantos mortos estamos pisando?
há muitas outras coisas pra se fazer na vida, por isso eu vou me embora.
Ana Paula Foreini
julho 15th, 2008 at 18:35
Olá, tenho lido alguns artigos seus sobre Nit, são todos muito bons, espero que continue assim, sou fã do filósofo e tenho encontrado muita ajuda em seus textos. Para´bens!
adv
julho 16th, 2008 at 16:39
@Ana Paula Foreini: obrigado ;)
LUIZ FELIPPE
agosto 27th, 2008 at 8:38
Tenho constantemente “dejavus”, seriam suspiros do eterno retorno?