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O fabuloso destino de Amélie Poulain – uma comédia deliciosa
30jul2008 Categoria(s): Filmes Autor: advO fabuloso destino de Amélie Poulian (Le fabuleux destin d’Amélie Poulain) é um filme francês, produzido em 2001 pelo diretor Jean-Pierre Jeunet.
Trata-se de comédia e drama deliciosamente misturados, permitindo ao telespectador uma variação de interpretações das vicissitudes da vida. Amélie é uma garotinha que cresceu isolada do convívio social. Filha de pais neuróticos, o pai, enquanto médico, examinava-a mensalmente, fato que o levou a perceber batimentos cardíacos acelerados em Amélie, levando-o a afastar Amélie do convívio social com a idéia descabida de que ela poderia ter um problema mais grave no coração; na verdade a aceleração cardíaca era devido a ansiedade gerada do contato pessoal com o pai que era muito distante.
A alfabetização de Amélie foi realizada pela mãe que tempos depois morre de uma forma nada convencional. Assim cresceu Amélie, longe de outras crianças e isolada entre os limites do seu lar, o que irá refletir intensamente em sua idade adulta.
Com a maioridade, Amélie vai morar sozinha em um bairro periférico de Paris onde ganha a vida trabalhando de garçonete em um restaurante de pessoas também nada “convencionais” – tanto os funcionários como os freqüentadores.
Na verdade o “não convencional” vem em tona na medida em que os problemas comuns das pessoas vão se revelando, problemas estes que em geral costumam ser silenciados pela hipocrisia da sociedade burguesa, onde não há espaço para que a existência singular seja mostrada no seu real devir que se faz dos encontros e desencontros. – Penso estar aqui o tom irônico dos valores burgueses.
Certo dia, em seu simples apartamento, um evento casual irá fazer com que Amélie descubra uma caixa com brinquedos que foi guardado por uma criança que morou no local há cerca de 50 anos. Amélie decide encontrar quem é o dono e após descobri-lo, ela arranja uma forma de entregar anonimamente, mas presencia a emoção do dono ao chorar de alegria. Aqui Amélie dá um novo sentido à sua existência, passando a descobrir o prazer das relações humanas.
Nesse jogo existencial Amélie ao mesmo tempo em que se satisfaz ajudando as pessoas, também tem muitas dificuldades para se relacionar com elas, o que a leva tramar criativas formas para se comunicar.
Durante suas tramas, Amélie se apaixona por um rapaz, levando-a, em sua criatividade, a buscar uma maneira de expressar seu sentimento pelo jovem. Nesse contexto é onde se verifica intensamente as contradições e conflitos das relações humanas, retratadas com um humor que adquire um tom irônico e sarcástico dependendo do ponto de vista do telespectador.
O destaque fica por conta do existencialismo presente no filme, mostrando o quanto estamos imersos em inúmeras possibilidades que se abrem de acordo com o devir que nos permite entoar uma canção às nossas vidas que se faz ouvir na singularidade humana.
Amélie conseguiu, mesmo com as notas desarmônicas de sua infância isolada e seus pais problemáticos, criar uma canção que fizesse sentido sem abrir mão de sua singularidade. Naquilo em que tinha maior dificuldade, que se revelava como problema central de sua existência, as relações humanas, foi onde Amélie (re)significou as suas vivências e deu um novo colorido à vida.
Pode-se ainda dizer, que o filme ri sarcasticamente da civilização enquanto força que delimita a singularidade humana, querendo transformá-la em coletividade, isto é, uma “cultura de rebanho” que faz surgir os “anormais” apenas na medida em que a normalidade se constitui enquanto aquilo que é comum a todos.
Trailer do filme O Fabuloso destino de Amélie Poulain:
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