Pensamentos, Existencialismo, Trágico, Absurdo, Música, etc.
O pdf abaixo é um texto curto que faz parte do livro “Nietzsche – Coleção Folha Explica” do professor Osvaldo Giacóia-Júnior, um dos autores brasileiros com excelente capacidade de interpretação da obra de Nietzsche. Nas páginas separadas o professor apresenta algumas considerações sobre Nietzsche e o Nazismo.
Nem mesmo entre os críticos da obra de Nietzsche, em sentido acadêmico, utilizam o falso argumento de que o filósofo sustenta o Nazismo. Há sim, evidentemente, as apropriações que o Nazismo fez da obra de Nietzsche, o que de nada representa ao filósofo.
As críticas a Nietzsche usando como argumentação de que sua obra teria sustentado o Nazismo proliferam entre os leitores ingênuos: aqui entendido como aqueles que, movidos pelos seus fundamentalismos, tomam frases ou trechos da obra do filósofo fora do contexto – a obra de Nietzsche é toda em aforismos – e saem por ai dando sentidos mutilados; interpretam pela ótica dos valores – julgam valorativamente – os termos provocativos que Nietzsche utiliza para provocar ironia e suscitar o espírito livre; tomam a linguagem artística do filósofo à partir de uma perspectiva literal; não tomam conhecimento da obra na íntegra – entre outras considerações que podemos tecer a respeito dos “leitores ruins” de Nietzsche – o que não falta.
Nesse sentido, não há nenhuma possibilidade de leitura de Nietzsche se antes o leitor não se despir das maquiagens dos valores, porém, sem deixar de saber que maquiagens são essas.
O texto abaixo é mais para os leitores interessados em saber como o Nazismo se apropriou da obra de Nietzsche, com a ressalva de que são apenas algumas considerações.
Victor Stonner
dezembro 10th, 2008 at 8:26
Bem que os nazistas utilizaram Nietzsche para sustentar sua posição frente ao partido socialista alemão é inquestionável. A pergunta a ser feita é essa era sua intencionalidade? O rompimento de suas relações com Wagner foram justamente pela sua postura anti-semita. O compositor Richard Wagner (1813-1883) escreveu panfletos anti-semitas, era o compositor predileto de Hitler e foi acusado pelo filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900) de manipular e distorcer as emoções do povo alemão com a sua música.
O aforismos utilizados pela Zaratrusta como o “super homem” permitiram manipulações do conteúdo do texto assim como os pastores e padres fizeram com a bíblia em beneficio próprio.
O ideal ascético contaminou Cristianismo fato que se ele tivesse lido o evangelho segundo Judás não teria escrito o anticristo mas sim o anticristão nem exaltaria o Budismo em relação ao Cristianismo mas o colocaria em um patamar de igualdade,embora influencia a do Arthur schopenhauer possa ter contribuído para essa visão.
Mas retornando aos aforismos eles podem criar discursos extremamente manipulativos e anti-semiticos como os mostrados no filme “Tolerância Zero” (vale a pena assistir)com a perda do “sentido da terra” pode culpar aqueles “abstraíram-lhe” e “distorceram” .
Ex: Judeus ortodoxos esmerilham diamantes enquanto outros morrem por AK-47 em seus diamantes de sangue,O mercado especulativo foi causado pela abstração do concreto esqueceram sua terra nada produzem,assim como o cinema ganham milhões nada produzem para satisfazer o espírito humano além de abstrações,eles não tem raízes,seu perdão nos dias posteriores aos tomaram as colinas de Golan e hoje é o campo mais minado do mundo.
Argumentos falaciosos, porém extremamente persuasivos que pelo fato de serem postos sem reflexão crítica prévia podem originar sentimentos lascivos. Ainda assim Nietzsche nada teve a ver diretamente com o anti-semitismo embora “Assim falou Zaratrusta” e “Genealogia da moral” dêem brechas para isso
Uriel
março 16th, 2009 at 11:13
“não tomam conhecimento da obra na íntegra – entre outras considerações que podemos tecer a respeito dos “leitores ruins” de Nietzsche – o que não falta.”
Sem eleger como um “deus”, mas eh um caso que se torna fato a cada dia que vejo um pos moderno (como nos) postando em Orkut, Blogs, aforismos Nietzschianos as soltas.
E fico pasmo com as divagacoes feitas ao pensador quando vejo a utilizaçao de obras para a exaltacao do ego, para vieis da liberdade consumista e principalmente para eleiçao em meios esdruxulos onde a “vontade de poder” eh corriqueiramente distorcida: meio academico e afins. Em uma epoca havia tomado um nojo de quase todos os “Nietzschianos” da face da terra por causa dessas anomalias que temos que deparar por ai.. Principalmente o espirito “burgues” enjaulado e dissimulado atraves da “liberdade” ou “vontade de potencia” mal interpretada.
Sem contar o conceito de Niilsmo, falado corriqueiramente em fas de Metal extremo, sempre fazendo alusoes ao “profeta” (Engraçado, destronam o onipotente e elegem outro?! Este ultimo que eh inexoravel sua presença como profeta”) mas da forma passiva. Mal sabem do que falam e elegem a inversao de valores como uma “verdade”. Filosofar com o Martelo virou filosofar com algum Bucaneiro, isto eh, na companhia de um papagaio!
Tomei uma furia tao odiosa aos “nietzschianos” que aparentava frustraçao de um “pseudo intelectual” buscando sua identidade. Mas hoje enxergo com otimos olhos.
Graças a pessoas como vocE e o rapaz acima eh que me sinto maism a vontade para comentar do sujeito centro da materia que voce postou.
Parabens, mais uma vez!
Uriel.
Nietzsche contra o Nazismo | Eterno Retorno
junho 13th, 2009 at 14:46
[...] a partir desse trecho que Klossowski desencadeia uma série de críticas àqueles que carimbaram Nietzsche com a suástica nazista. Para Pierre, acusar Nietzsche de nazista decorre da má compreensão de [...]
Henrique César
janeiro 12th, 2010 at 10:18
Concordo com a apropriação e distorção de passagens e ideias por parte dos nazistas. Tenho, porém, dúvidas sobre certas idéias como por ex. “super-homem”, “vontade de potência” e outras que, sem dúvida, conduz o pensamento para uma forma de sobrepor um ser humano a outro. Woody Allen alerta num de seus filmes (não menciona Nietzsche):”O problema é sempre o fascismo”. Quer dizer, sempre que alguém se acha superior a alguém, esteja certo, tem o fascismo-nazismo ali embutido, e, como se sabe, em condições de prosperar e prospera sempre. É claro que idéias como a de que o instinto básico humano é criar metáforas estão longe da acepção nazista, pelo contrário. Mas outras, como as referidas acima tem sim um viés fascista-nazista. Quero dizer que o perigo do fascismo-nazismo é estrutural no ser humano. Tem que se ter cuidado, sempre.
Renan
maio 29th, 2010 at 9:45
Bem, quem leu as obras de Nietzsche pode sim muito bem suspeitar de que o filósofo talvez seria um adepto do nazismo caso estivesse vivo quando da ascensão de Hitler…
Nietzsche sempre pregou em defesa da guerra, do poder do mais forte. Sempre criticou a imbecilidade da moral dessa sociedade de faz de contas…
Quem nega a relação entre as ideias “nietzschianas” e os ideais nazistas (e não me refiro as supostas obras falsificadas do autor) parece estar mais preocupado em conservar uma boa imagem de Nietzsche por ser um pensador consagrado..
Para isso, estes defensores “nietzschianos” se postam como os derradeiros intérpretes do filósofo e propagam uma visão parcialista, ignorando e desprezando quem interprete as obras e as ideias de Nietzsche de uma forma menos ingênua.
Alfredo
agosto 3rd, 2010 at 15:48
A interpretação nazista de Nietzsche é ingénua e superficial. O que Nietzsche pretendia transmitir era a ridicularização dos preconceitos, a força e vontade de viver, a sublimação da condição humana. Parecendo-me também uma pessoa de bom senso, não me parece que apoiasse a guerra desenfreada, o genocidio, e qualquer outro tipo de nacionalismo animalesco. Existem outras formas de afirmação, se é que as que referi podem ser consideradas como tal.